Estou sentada no meu quarto, ainda não são meio dia.
Lágrimas em um rosto acostumado com lágrimas, me dando um notícia que já tive várias vezes, adentram o quarto, era a minha mãe e ela dizia :" Ele já foi!" e seu olhar me perguntava o que fazer. Eu sabia o que dizer, eu queria dizer que tudo ia ficar bem e que Deus estava no controle, mas aquele coração já tinha ouvido aquilo antes, e já havia confiado naquilo um dia, mas hoje; hoje não, hoje aquele coração estava precisando de algo mais, algo que eu fui incapaz de dar - que besteira a minha, outra vez - Eu sabia o que dizer, como dizer e pra quem dizer, mas tudo em mim se calou e tudo que saiu da minha boca foi : " É, mãe, de novo!".
Sons que já são velhos conhecidos chegam ao meu ouvido, eles vem do quarto ao lado, é o som da tristeza, é incrível como ela consegue tomar conta da situação, eu achava que aquele som não seria ouvido outra vez naquela casa, mas foi, e não cessava. "Ele já foi", três palavras, palavras pequenas, que sem o auxílio das outras são meras palavras, elas tornaram a menina calada em uma menina com muitas palavras, mas não como o de costumes, não eram palavras que eu estava acotumada a dizer nesse últimos meses, eram palavras difíceis, palavras desesperadas, porém palavras de glória, eu liguei pro meu melhor amigo, e como de costume ele atendeu no primeiro toque, e ele disse : - "O que foi, filinha?" - como costuma me tratar, e eu só conseguia dizer: - O que eu faço? - com algumas lágrimas borrando o rímel da noite passada, - Como eu posso passar por isso de novo? me ajuda!
E com todo carinho, sem nada sobrenatural, vale ressaltar, eu senti um abraço, um abraço diferente, não é um abraço de um amigo qualquer que nos faz chorar ainda mais, é um abraço tão aconchegante que enxuga todas as lágrimas, e meu coração se sentiu bem, tudo que passava pela minha mente era " Em tudo dai graças" e tudo que eu conseguia dizer era : - Glória a Deus!
Meu melhor amigo me abraçou e disse : " Isso filinha, me agradeça por isso. Todas as coisas cooperam para o bem dos que me amam, e não estou aqui a toa."
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